Nos últimos dias as notícias que destacam a violência têm sido comuns. Seja no cenário nacional, estacdual, regional ou local, informar sobre assaltos, assassinatos, tráfco de droga parece ser a rotina. Lá em São Paulo o filho mata os pais pelo banal motivo de que queriam que ele trabalhasse. No Rio de Janeiro a amante entra de madrugada na casa do amásio, leva a filha de seis anos e a assassina por causa de dois mil reais que queria do pai dela. Aqui em Passos, o outro vai a casa da ex-mulher e tomado de ódio porque o filho criança lhe informara que a mãe (ex-mulher) fizera sexo na frente dele, a esfaqueia com 14 golpes e cobre a rua de sangue deixando lá o corpo inerte da mulher. São crimes nascidos da deturpação social, urdidos num sistema que valoriza o consumismo, a ganância por dinheiro e o desejo de resolver as coisas por conta própria, acima da lei. Talvez difíceis de serem previnidos.
Mas há outros, vindos da guerra do tráfico, da briga por roubos, assaltos, que também vitimam eas pessoas expõe o lado podre do tecido social. Podem argumentar que a deterioção do sistema é inevitável e que ninguém está livre de um possível ataque.
Em parte pode ser verdade. Eu mesmo quase fui testemunha de um assalto à mão armada cometido contra um amigo, o Luizinho, filho do Murchur, lá no bar deles. Esse caso acompanhei de perto. A Polícia chegou depois, claro, como não poderia deixar de ser. A Civil disse que ia investigar. Não sei o desfecho. Mas o assaltante descrito e a metódo aplicado no ato já é conhecido dos poliiciais. Isto é, não foi a primeira vez que praticaram o assalto utilizando a mesma maneira de agir.
O aparato policial, com policiais para fazer a ronda, caminhar pelas ruas, atuar na inteligência e na investigação é a garantia de que o tecido podre da sociedade pode ser aliviado. Mas não é o que se vê por aqui.
No momento em que a onda de violência se espalha o comando da polícia militar precisava estar atuando para agir e resolver a situação. Em grandes centros, a ação pela inteligência pode ser até mais complicada, mas é realizada. E o que dizer então de uma cidade como Passos?
São cerca de 110 mil habitantes. 19 bairros, que podem perfeitamente serem delineados em pontos de riscos alto, médio e baixo e, com este foco, estabelecer linhas de ação que permitam a identificação de infratores, traficantes e qualquer espécie de agressores.
E por que não é feito?
Nem é preciso ir atrás da resposta, a alegação poderá ir pela seguinte linha: efetivo pequeno, poucas viaturas, armas ultrapassadas, pouca capacidade de mobilização, recursos escassos para operacionalizar. São verdades?
Pode ser. Mas hoje a cidade de Passos tem condição de mobilizar para buscar recursos. Há quem em Belo Horizonte pode trabalhar e articular ações que mudem esse quadro de coisas. O deputado estadual, Cássio Soares, aliás, tem dado notícias de que pretende realizar aqui uma audiência pública para tratar do assunto. A mesma coisa está fazendo a presidente da Câmara Tia Cenira que já definiu a data para a realização da que a Câmara pretende fazer, que é dia 17 de março.
A mobilização da comunidade é importante. Ela deve ser convocada, mas os cidadãos pouco podem fazer.
O correto é a implantação de programas que massifique a presença da polícia, que a deixe próxima do cidadão, do bairro, da moradia das pessoas. Existem vários programas que têm esta perspectiva, como o Olho Vivo, em BH, quiosques no Rio de Janeiro e Polícia Comunitária em Minas.
Se programas com este formato forem adotados aqui, a violência tenderá diminuir. Claro que não é a única coisa a ser feita. É necessário que também sejam implantados programas que criem empregos, ofereçam lazer, esporte e cultura para a juventude.
Tudo isto custa. Tudo isto é caro. Exige vontade de fazer acontecer, mas urgem que a policia faça com rapidez e os agentes públicos trabalhem com a mesma velocidade. Afinal é para isso que existem o Estado e suas instâncias. Para proteger os cidadãos que submetem às regras e as leis.
É certo que tem hora que o desencanto toma conta, como este em que vemos os membros da Superior Tribunal de Justiça arrumarem um jeitinho de receber acima do teto que gira em torno de R$ 26 mil, mas conseguiram chegar até o recebimento de R$ 90 mil. Mas é nessa hora que o cidadão comum não pode perder sua capacidade de indignar-se, senão o caos se instala e o que todos queremos é uma sociade justa, fraterna e humana.
Não é fácil, mas não se pode perder a Fé.