segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A luta pelos votos

Pelo andar da carruagem, Passos e região vão continuar tendo que se contentarem com a representação política vindo de São Sebastião do Paraíso. A falta de acordo entre as lideranças políticas já faz vislumbrar um cenário de grandes dificuldades para a eleição de um deputado estadual. No cenário para a federal o quadro é um pouco diferente, mas também tem suas dificuldades.

Vamos começar por analisar o quadro para a disputa para deputado estadual. Quem hoje, no momento atual, reúne melhores condições para disputar é Alexandre Maia. Isto não se ancora em dados de pesquisas que, se existirem , são mantidas em sigilo, mas nas perspectivas de alavancagem eleitoral.

Ele conta com a possibilidade concreta de ter como cabeça de chapa Hélio Costa. O senador Hélio Costa só deixa de ser candidato se a chapa que concorre a eleição do PMDB de Minas vencedora foi a do PMDB da Base. Pelo menos é o que tem dito na campanha que faz para o deputado federal Antonio Andrade.

Melhor para Alexandre que Hélio Costa seja o candidato do PMDB, se isto acontecer ele vai sair na frente.
Já Cassio Soares, que está fazendo uma boa articulação a nível de cúpula, depende muito de duas coisas: 1) que esta articulação resulte em apoio concreto e 2) que o governo do Estado resolva apostar de verdade na sua candidatura.

Se não conseguir transformar a distribuição de benefícios, principalmente na área de segurança, que tem feito de forma sistemática, em intenção de votos, o apoio pode ser tímido e sua candidatura naufraga e ajuda naufragar as outras.

No caso de Dr José Orlando, o Tuta, a estratégia de sair do PSBD para ir para o PR pode ter sido um tiro no pé.

Na busca de menos votos para completar a soma que lhe dá coeficiente eleitoral, Tutta desguarneceu o PSDB que está indo a Passos largo para o colo de adversários dentro da própria sigla. E com uma desvantagem que será a de que daqui pouco ver que precisará de pelo menos 50 mil votos para ser eleito, o que talvez seja o mesmo de Alexandre Maia e um pouco menos para Cássio Soares.

Se fosse um só, Passos poderia entrar com 40 mil votos. Os outros 10 mil seriam conquistados na região. Divididos em três, saem perdendo de cara e para que um deles ganhe, tem que conquistar pelo menos 25 mil votos.

Uma missão difícil.

No cenário para federal, Renato Andrade e Wagner Caldeira precisam se entender. Dois candidatos é muito em qualquer hipótese, mas que a cidade e a região precisa de alguém dando a cara a tapa para este fim este preciso.

De qualquer forma, tanto Renato Andrade como Wagner Caldeira estão certos em ir para o pleito. Se pudessem se entender seria melhor para a região e este entendimento tem que ser buscado.

Agora mesmo a decisão de Renato Andrade de se candidar lhe deu ânimo novo, como demonstra pela mobilização em torno da questão do pedágio da MG-050 e da gratuidade para os que tem mais de 60 anos no transporte coletivo.

Wagner parece que prefere o caminho da ação discreta, mas temos notícia que esta atrás de pessoas ligadas ao seu partido, fazendo contato por toda Minas Gerais.

De repente, embora a quantidade de votos para se eleger um deputado federal não fique em menos de 65 mil, podemos ter um federal eleito, ainda mais se Melles deixar o flanco aberto, para postular a vice-governadoria, ou o senado.

São elucubrações, mas servem ao debate de como será possível Passos e região recuperarem a representação política, que é um dever de toda sociedade, não apenas de candidatos, senão vamos ter que continuar delegando a São Sebastião do Paraíso nossa representação política, que tem sido frustrante para esta região, notadamente para Passos.

sábado, 28 de novembro de 2009

Palanque

Ontem, 27/11/2009, a AMEG completou 25 anos de existência. Uma oportunidade para quem sabe fazer política se movimentar. Foi o que fez Mauro Zanin, prefeito de São Sebastião do Paraiso e presidente da associação.

Ele homenageou os fundadores, deixando para Cóssimo de Freitas, primeiro presidente da instituição e atual vice prefeito de Passos, para ser o orador oficial da cerimônia. Tratou de nomear um a um os que foram presidentes e que ainda estão vivos.

Depois deixou Carlos Melles falar.

Tanto bastou para a festa tomar um outro rumo e virar palanque. O deputado falou de tudo...do governo Aécio...da intenção do governador de Minas em fazer um último ano de gestão com muitas obras e iniciativas administrativas, quase sempre colocando o próprio Melles como parceiro de grande sucesso.

Há quem diga que Carlos Melles deseja ser vice-governador, ou até candidato a senador, e, por aí, até se justificaria sua fala. Mas ele cometeu uma indelicadeza com a cidade.

Na hora de pedir votos, pediu para Antonio Carlos Arantes, Cassio Soares, citou Nárcio Rodrigues e Zé Maia, mas esqueceu outros nomes que também pleiteiam a mesma coisa, como Alexandre Maia, que está em Brasilia e Dr José Orlando Tuta, presente ao evento.

O que ficou parecendo, e pode até que nãos seja esta a intenção, é que Mauro Zanin, prefeito de São Sebastião do Paraíso, montou um palanque para o seu conterrâneo discursar que, ao fazer uso do mesmo, não conseguiu disfarçar o pouco apreço que tem pela cidade de Passos e suas lideranças.

Uma falha que conseguiu empanar o brilho de um evento que tinha todas as razões de ser feito.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Esparramando mentiras, colhendo ventos

A Folha da Manhã trouxe na edição de hoje o que poderíamos chamar de uma contra manchete, na de ontem (26/11), arrebentou com o ex-prefeito Ataíde Vilela, colocando o como inelegível, num julgamento de segunda instância, o que, outros órgãos de imprensa responsáveis, como a Gazeta Regional de Passos e este Correio dos Lagos Online, conseguiram levantar como mentira com dois breves telefonemas.

Nem é o caso de entrar no mérito se Ataíde terá ou não sua sentença em primeira instância, que o tornou, ai sim, inelegível, confirmada na segunda. O que precisa ser investigado é como uma matéria de alto poder corrosivo sobre a imagem pública do ex-prefeito tenha sido levada ao conhecimento público por gente que conta como vantagem o fato de ser formada, possuir diploma de jornalista, incluindo o diretor.

O remendo de hoje não apaga o prejuízo moral que o jornal já causou. A notícia se assemelha a penas jogadas de uma torre num dia de ventania. Vai cair em lugares distantes e nunca mais essas condições se repetirão. Ou seja, é impossível recolhe-las.

Ao contrário, a notícia que procura desmentir o que ontem foi estampado em letras garrafais só vai despertar a curiosidade de quem ainda não a leu. Desmente, mas confirma, de certa forma, o que já foi noticiado.

Mas há algo que merece que se detenha sobre a informação mentirosa publicada com muito mais destaque do que a confissão tímida e envergonhada do erro, que hoje a Folha da Manhã fez veicular, querendo insinuar que foi levada a erro pelo site do Ministério Público Estadual.

Ora, além de não apurar com rigor o que ia noticiar, ainda joga em cima da instituição MP a motivação pela sua incapacidade de checar informações e verificar a correção dos dados que tinha em mãos.

A Folha da Manhã, diário de Passos, na sua edição do dia 26 de novembro de 2009, subiu na torre e espalhou mentiras. Na edição de hoje, ao tentar corrigir o erro, colheu ventos, porque a notícia não se cobre com um único desmentido.

Se o jornal for corajoso e compromissado com a verdade, deve passar um mês, colocando no seu rodapé: “Erramos: a noticia do dia 26/11, publicada neste jornal, não procede. O ex-prefeito Ataíde Vilela ainda nem foi julgado em 2ª instância, o que aconteceu é que Folha da Manhã publicou uma mentira”,

É o mínimo, embora não suficiente, para recuperar um pouco da credibilidade que se perde com tamanha desfaçatez ao publicar tal matéria.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Monumental Barriga

A queda na arrecadação e a diminuição no ritmo de obras espalhadas pela cidade, que aconteceram simultaneamente à posse do prefeito José Hernani, além da demora para colocar em funcionamento o novo Pronto Socorro Municipal, aliada a crônica falta de médicos para atender na área da saúde, uma área problemática demais em qualquer parte do País, mas tinha solução apontada durante a campanha do atual prefeito, acabaram por transformar Ataíde Vilela numa espécie de unanimidade entre os “arrependidos” do voto dado no pleito passado.

Ainda não faz um ano que José Hernani governa e já há quem ache que a eleição em 2012 é favas contas para o ex-prefeito Ataíde Vilela. Nem tanto ao mar e nem tanto à terra.

De fato o senso comum e a pesquisa de “qualidade”, aquela que os especialistas e observadores da cena fazem acompanhando as conversas e o humor nelas contidas, dá ponto favorável ao antecessor do atual.

Mas é preciso usar da inteligência para não cair na ilusão de que a prefeitura já está de novo no braço de Vilela e que à Hernani não há chance de recuperação.

Pura tolice.

E esta luta política se desdobra em vários campos. Até no jurídico. Agora mesmo a Folha da Manhã parece ter embarcado numa tremenda canoa furada ao publicar matéria dando como inelegível o ex-prefeito Ataíde Vilelal, numa ação por contratação irregular. Na verdade a condenação é de primeira instância e o feito ainda nem subiu para o Tribunal de Justiça. As pesquisas estão sendo feitas aqui na redação e pela equipe de reportagem e, se confirmada, a Folha da Manhã, leva o título de "Barriga do ano", por ter publicado matéria sem confirmação do fato. De outro lado, Hernani tem entrevista coletiva para anunciar um pacote de obras, que vai significar investimentos da ordem de R$19 milhões em Passos (construção de 500 casas populares, restaurante popular e pavimentação de ruas).

Algo que para a situação pode significar motivos para comemorar.

Mas ainda é necessário cautela. Em primeiro porque a Folha da Manhã, se comeu esta imensa e indigesta bola, deu munição para que Ataíde reaja e coloque tudo como uma manobra política para desmoraliza-lo, e, se tiver habiliade, mostrar que esta manobra foi urdida entre adversários, colocando o jornalão dentro desse balaio. Em segundo, porque a população tem uma opinião cristalizada (diferente de formada, é bom que se frise) de que a saúde é um caos e é na melhoria do setor que a população apostou em Hernani. Se isto não vier, ainda haverá muito de negativo a remover da pele grossa do desgaste grudado na situação.
E o pior, no afã de liquidar o adversário de maior envergadura podem é estar o promovendo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A cidade ou política, o que é mais importante?

A Câmara de vereadores viveu ontem (23/11) uma sessão agitada. Primeiro a Cisne, representada pelos seus diretores, foi justificar porque não pode deixar de cobrar dos que têm mais de 60 anos. “Ainda não fomos avisados pelo poder concedente”, disse Hélio Marques, Diretor da Empresa, como se para cumprir uma decisão judicial o executivo estivesse acima. Decisão da justiça é para ser obedecida, ainda mais quando ocorre em última instância, como é o caso.

Para cumprir a determinação legal, o diretor da empresa disse que necessita de subsídios da prefeitura, o que foi defendido pelo vereador Cláudio Fêlix e o que Edmilson Amparado se mostrou disposto a levar ao conhecimento da administração.

Aliás o transporte coletivo em Passos do jeito que está hoje é inviável por si só. O sistema implantado, concebido como circular, está fadado ao fracasso. A própria empresa em reservado admite que o número de usuário já caiu e que a concorrência com o moto taxi é sufocante. “Quem pode pagar anda de moto taxi e os que não podem andam de ônibus”, desabafou Hélio Marques na reunião de ontem.

O fato é que a lei terá que ser cumprida. Mais cedo ou mais tarde. E a viabilização do transporte coletivo passa pelo preço da tarifa, que tem que ser barata e não pode passar de R$1,00. A saída é a implantação do Cartão Cidadão, se isto não ocorrer viverá- se uma lenta agonia do sistema e não se assustem se a Cisne, a exemplo do que fez a TCP, bater em retirada.

A outra discussão que dominou a sessão foi sobre a derrubada do veto que o prefeito fez ao REFIS, que afinal aconteceu.

Antes da votação secreta (6 pela derrubada e 5 contrários), havia um ambiente de dúvida entre alguns vereadores da oposição, que se mostravam favoráveis a manutenção, que indagavam se a cidade estava em condições de perder um recurso buscado no vazio (já que era de devedores pouco dispostos a saldar seus débitos em condições normais).

Prevaleceu a idéia de que a administração estaria punindo quem paga em dia em detrimento de caloteiros de todo porte (pequeno, médio e grande). A Câmara fez média com os pequenos e puniu a prefeitura na chance de arrecadar mais.

Bom para a oposição, que vai continuar cobrando recursos para a saúde, tapa buracos, assistência social. Ruim para a cidade que assiste uma demagogia prevalecer.

Mas a senha para a aprovação foi dada pelo vereador Tuco, líder do prefeito. Ele disse, diante do argumento de que havia parecer jurídico sustentando a constitucionalidade das emendas apresentadas pelos vereadores (diferente do argumento do executivo), que advogados arrumam parecer conforme a encomenda.

A isto somou-se a fala do chefe de Gabinete, tomada como ameaça pelos vereadores de oposição, de que se os vetos fossem derrubados o caminho a seguir seria o de recorrer à justiça.

No frigir dos ovos, depois dos erros de condução do processo e dos equívocos no diálogo com os vereadores (cobrança iniciada antes da apreciação do vetos e ausência do anúncio de compensação para quem paga em dia), não vai restar outra alternativa à administração que recorrer mesmo à justiça. Até há grande chance da tese de inconstitucionalidade das emendas prevalecer, mas como diziam os antigos em cabeça de juiz ninguém consegue entrar com antecedência. Ou seja, o risco de perder também existe. Uma situação que deixa o executivo num beco sem saída.

Ah, quanto a resposta a pergunta que dá título a esta análise parece claro que para a oposição a política prevalece, bem entendido de que ela se insere no velho contexto de quanto pior tiver um governo melhor (para a oposição), que conseqüência isso possa ter para a comunidade pouca importa.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fissuras na Oposição

A oposição vai ter seu primeiro problema sério. O vereador Jeferson Faria, o Jefinho, oficiou seu desligamento do bloco e passa a agir como fiel da balança. Ele não explicita as razões, mas, com certeza, vai se saber logo logo o motivo deste desligamento.

De toda forma a atitude tomada por Jefinho, comprova o que temos registrado nesse blog. Ele é o vereador de maior independência partidária e desde o primeiro momento tem dito que vota no que for bom para a cidade.
Mostrou-se até agora um crítico de posições não muito republicanos, como foi o caso da Resolve Service, da compra do Contry pela FESP, das horas extras, só para ficar nesses exemplos.

Agora, com este desligamento, torna-se o vereador mais cortejado da Câmara Municipal, mas ele representa a fissura mais séria surgida na oposição até o momento.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Saúde! Saúde....

A enquete que o Correio dos Lagos (www.correiodoslagos.com.br) deixou no ar por mais de 20 dias mostra que a população de Passos sabe o que quer. A necessidade de um hospital público é algo desejado por 95% das pessoas que responderam a enquete. Evidente que isto é necessário.

A Santa Casa de Passos é, sem dúvida, um grande hospital, tem todas as características de uma instituição hospitalar regional, mas, em situações específicas, principalmente no relacionamento com os poderes públicos regionais, impõe condições que muitos julgam draconianas.

A direção argumenta que esta é a única forma de garantir qualidade no serviço e isto pode até ser verdade, mas se não for não há como contra argumentar, porque não há nada para contrapor a esta argumentação.

Observadores, cidadãos antenados com o que acontece ao derredor e que conseguem fugir das loas, tem opinião bem diferente sobre o que acontece na instituição. Nós mesmos aqui no Correio dos Lagos online recebemos, vez ou outra, cartas (e-mails) sugerindo pautas, analisando o contexto do maior hospital de Passos. Uma delas, resguardando a fonte, passamos ao conhecimento de todos.

"Já que traz notícias de Passos e Região (o Correio dos Lagos Online),opiniões, acho que seria legal ter reportagem sobre a área de saúde, que não está nada boa em Passos! Por favor investiguem, vão ver que a reportagem tem fundamento.

A Santa Casa de Passos vive recebendo Creditações, está sempre entre as melhores no setor saúde, mas deixa a desejar no sentido de cargos e salários.Soube de fontes seguras que funcionários estão há mais de 10 anos com a Carteira assinada como auxiliar de enfermagem, sendo que suas carteiras profissionais são de técnicos e os salários pagos são baixíssimos, para auxiliares, técnicos e enfermeiros, além disso, os funcionários fizeram uma prova para serem contratados como técnicos de enfermagem, mas estas provas foram parar na gaveta.

Será que estas Creditações têm conhecimento disso? Em minha opinião estes cargos deviam ter um salário digno, pois o trabalho que eles executam são merecedores de um bom salário, trabalham por escala, alguns não dormem a noite, as atividades são constrangedoras,pesadas e difíceis!

Outro fator a ser discutido são as doações do HRC (Hospital do Cancêr). Todas as verbas, doações estão sendo destinadas ao Hospital?Como são doações de muitos lugares, de muitas pessoas, penso que deveria existir uma Auditoria, ou intervenção MP para checar se existe alguma irregularidade, afinal é o dinheiro da população em prol de um bem maior "o Hospital".”

São questionamentos que merecem uma resposta da Santa Casa, em respeito ao que a comunidade lhe devota. O espaço aqui está aberto para este fim, se a direção da instituição quiser se pronunciar.

Mas o fundamental é que alguém de coragem assuma a bandeira de que em Passos precisa ser erguido um hospital público. Embrião para isso já existe, que é o novo Pronto Socorro, ou UPA, basta ter querer seguir em frente. A cidade agradece.