Na reunião da Câmara Municipal de ontem (01/03), além do normal embate em torno da saúde, ainda mais quando se observa que a dengue é mesmo uma epidemia na cidade, outro assunto abordado foi o da segurança pública.
O vereador Jeferson Faria, o Jefinho, tomando como base de argumento o recente assassinato de um jovem de 16 anos, encontrado num bueiro, pediu apoio mais eficaz da administração municipal ao setor.
Tuco saiu em defesa da administração municipal. Lembrou que a polícia militar hoje é bem equipada e destacou que a civil conta, falando apenas de pessoal, com quinze funcionários cedidos pela administração municipal. E que policia militar também recebe ajuda da prefeitura. Ainda se falou da criação de uma nova Cia de Polícia Militar que será instalada no bairro da Penha.
Jefinho retrucou: a prefeitura precisa destinar mais recursos para a segurança pública, como forma de garantir bem estar e qualidade de vida aos moradores dos bairros da cidade e citou as emendas propostas com este objetivo.
De qualquer forma quando o galo canta na Câmara Municipal, na expressão de qualquer vereador, é bom ficar alerta porque isto é sinal de que as coisas estão fugindo de controle.
Foi assim com a dengue. Edmilson Amparado, que é vereador da base de sustentação de Hernani, pediu até que a Câmara Municipal fizesse uma audiência pública em torno do assunto. Isto não faz mais que 20 dias. De lá para cá a epidemia explodiu em Passos e tudo tem sido tratado como se fosse uma rotina. Não é.
Atento para esta situação está Rogério Queiroz, que dirige o CEREST, que trabalha problemas relacionados à saúde do trabalhador. Ele, que também dirigiu a Vigilância Sanitária, resolveu articular o combate à dengue dentro de um esquema de “guerra” e de ações que visam mobilizar a comunidade para a sua responsabilidade no combate a proliferação do mosquito vetor.
Rogério lembra que a zoonose elimina focos encontrados, mas volta só depois de 40 dias, tempo suficiente para a realimentação dos criadouros. O especialista lembra que há instrumentos legais que obriga a “comunidade” a desfazer dos focos e cuidar do ambiente para que não sejam criadas situações adequadas para que o mosquito venha se procriar. É disso que uma equipe criada por ela vai cuidar.
Divididos em grupo, os 20 trabalhadores do CEREST e da Vigilância Sanitária (14, sendo quatro estagiários), vão trabalhar os locais de risco (comercio, casas) com uma planilha que estabelece os cuidados e os prazos para a realização das tarefas que evitem a dengue. Outro grupo da equipe faz a avaliação e vê o cumprimento da determinação feita pelo grupo anterior.
Caso as determinações não sejam cumpridas, aplica-se a lei, incluindo comunicado ao promotor Éder Capute. As penalidades previstas prevêem multas de até R#30 mil reais.
A decisão do grupo do CEREST e Vigilância Sanitária nasce dentro do espírito do velho Osvaldo Cruz, de mobilização social e de imposição do que deve ser feito, nesse caso, para defender a saúde pública. Educa-se pela dor (do bolso, ainda melhor que a da dengue), se for necessário, embora bastasse aos pais de ter a consciência que os filhos têm hoje, adquirida nas escolas.
O curioso é que a iniciativa é do grupo, sem qualquer participação do secretário de saúde, Cleiton Piotto, por exemplo. Isto aí é apenas para mostrar que em Passos não há política de saúde pública, e não haverá enquanto permanecer no comando alguém que pensa que gerenciar a saúde de um município do porte da cidade que vivemos, é a mesma coisa que gerenciar uma empresa particular focada nos resultados sociais da mesma. Não é. Saúde pública exige presença para efetivar ações, muito mais do que olhar dados, conferir tabelas e observar resultados estatísticcos, antes é preciso saber interpretá-los com foco na realidade e mudá-la para melhor. Já deu para perceber que esta não é a praia do Dr Cleiton Piotto. Os dados estão ai nas casas dos passenses, representado pelo epidemia da dengue, incontestáveis.