terça-feira, 25 de agosto de 2009

Veto Parado

Na reunião de ontem a justa homenagem à APAE pelos seus 38 anos de existência em Passos, acabou por adiar a votação dos vetos que o prefeito José Hernani fez a 21 emendas que os vereadores fizeram a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Mas antes de concretizar a suspensão, o líder do prefeito, José Antonio de Freitas, o Tuco, solicitou à presidência, por ofício, a votação em separado de algumas emendas.

Um delas, a que diz respeito à proposta de doação de área para a Polícia Ambiental, começou a causar incômodo na bancada de oposição. Ela é de autoria de Jefinho e, pelo que se comentou nos bastidores, sua rejeição contaria com o apoio de outro vereador da oposição, o Zetinho.

Procurado hoje pela manhã pessoalmente por mim, Zetinho esclareceu que não tem posicionamento contrário à emenda. Avaliou que a forma como é tratada a questão ambiental no País é prejudicial aos produtores rurais e afirmou que “sem o apoio do produtor rural não teria a votação que tive e nem me elegido vereador”.

Zetinho explica que a criação de uma sede para a Polícia Ambiental assusta os produtores. Acredita que falta informação a eles, tanto a respeito da realidade da PA, que já existe, como também por parte da legislação.

O vereador acredita que é preciso estímulo a quem produz água e preserva o meio ambiente. Mas a legislação brasileira tem o caráter mais punitivo do que busca criar condições de apoio para que o meio ambiente seja preservado, como o subsídio pago a quem proteger nascentes, matas ciliares e de topo.

Outro ponto: A LDO é orientadora, como tal deve ser encarada. Assim todas as sugestões encaminhadas, seja por audiência pública ou parte dos vereadores, devem ser entendidas neste âmbito, já que cabe ao poder executivo a elaboração e, depois, a execução do mesmo.

“Assim, neste caso da emenda do Jefinho, com quem ainda vou conversar, a proposta dele merece o nosso respeito. Por isso vou aprofundar a discussão com ele”, disse.

Se prevalecer mesmo o amadurecimento demonstrado por Zetinho na conversa matinal que tivemos, os vetos na sua integralidade deverão ser derrubados. Não por eles, pela importância que têm, mas porque o executivo, ao vetar os 21 artigos, tratou o legislativo e, portanto, todos os vereadores que propuseram emendas, como pessoas sem preparo, que desconhecem a legislação e fazem, ao cumprir a essencial função de propor soluções para os problemas da cidade, uma ação demagógica.

Mais por isso e muito menos pelo conteúdo de cada uma delas, o prefeito José Hernani, para entender que respeito mútuo se constrói na diversidade, deve ter os vetos que propôs derrubados.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Dia do veto

Daqui a pouco a Câmara de Passos analisa os 21 vetos que o prefeito José Hernani da Silveira fez às emendas que os vereadores propuseram à LDO.

Está uma lei que antecede ao orçamento, como o próprio nome diz é Lei de Diretrizes Orçamentárias, ou seja para dar o norte ao que de fato pretende-se implantar ao longo do ano seguinte.

Nem ela nem o Orçamento servem para muita coisa no Brasil. São leis autorizativas e não há nenhuma exigência para que sejam obedecidas.

O executivo pode, ao longo do ano, mudar de idéia sobre determinado projeto e remanejar recursos, dentro de uma margem que os vereadores aceitarem.

Na verdade este é o único quesito de força que os legisladores municipais têm sobre o executivo e, via de regra, acabam cedendo aos “apelos” de quem assina o orçamento, isto é, do prefeito.

No caso de hoje, vai servir para outra coisa: desgaste do prefeito ou dos vereadores, com 90% de chance de o prefeito José Hernani ser a bola da vez, tal a falta de habilidade com conduziu a elaboração dos vetos.

Também quem tem como líder um vereador com a pouca capacidade de articulação, que despreza os seus pares, dedicando mais tempo ao celular do trabalhar as reivindicações, como parece fazer Tuco em todas as sessões, não pode mesmo contar com qualquer chance de sucesso.

sábado, 22 de agosto de 2009

Mercadante e Tuco: Dois fracassos na liderança

Políticos parecem não importar muito com a sua biografia e muito menos com a construção da história de cada um deles. Pelo menos é o que deixa antever o posicionamento de dois personagens deste meio.

Um deles está em Brasília e é o líder do PT no senado. Aloísio Mercadante tem um peso histórico no partido. Alçado à condição de líder do PT no senado, colocou sua capacidade de interlocução à prova, que, aos poucos, foi sendo derrotada, em razão dos embates que foram levando a ética à bancarrota naquela Câmara Alta.

Começou com Renan Calheiros, o velório culmina com Sarney e a ordem de Lula para que fique onde está para não causar mais ruído na base de sustentação do governo.

Ficou e agora é apenas um boneco, sem qualquer condição de liderar. Ele mesmo admite.

O outro é Tuco. Líder do prefeito na Câmara Municipal de Passos, o vereador o é apenas no título. Quem exerce a liderança de fato é Edmilson Amparado, que se articula muito bem e se posiciona com inteligência diante das demandas da oposição.

Tuco lidera a conta do celular, tanto é o seu apego ao aparelho do qual não larga e parece estar grudado ao seu ouvido, tamanho o uso que faz do mesmo durante as sessões. Isto quando fica até o final das sessões, porque, não raro, sai antes dela terminar.

Na última sessão, a repórter do jornalão percebeu a ausência e fez o registro.

Tanto bastou para o esperneio. Pediu para que o assessor de bancada do PMDB, o Alysson, fizesse sua defesa e, talvez por não ser, como se comenta a boca miúda naquela casa, assíduo freqüentador do seu local de trabalho, a defesa saiu torta.

Para justificar sua ausência do plenário, o tal assessor de bancada que, segundo dizem, aparece muito pouco para trabalhar já que também presta serviços na FESP, que por sinal tem horário de trabalho no mesmo período da Câmara, disse que Tuco estava reunido com pessoas da comunidade para saber de suas reivindicações.

Que isso cara pálida? Então a Câmara só funciona às segundas à noite? E o vereador não pode ir de encontro aos moradores em seus locais de moradia?

É muito difícil querer tapar o sol com a peneira. Aliás, é impossível e, numa comparação, o outrora aguerrido vereador hoje nem é uma arremedo do que já conseguiu ser. E isto intriga e merece uma investigação por parte dos seus pares.

Aloisio Mercadante, está claro, obedeceu a ordem de Lula e jogou fora sua história. Por que será que Tuco está fazendo o mesmo com a sua? Ainda não temos resposta convincente.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O cenário se modifica

Dizem que política é como nuvem. Cada vez que você olha para o céu ela está num formato diferente.

Dá para comparar. Mas nos dias de hoje o trabalho político é profissional. As estratégias são elaboradas eleição a eleição, calendário próprio do político e caldo de cultura por onde ele se movimenta.

Lula, Aécio, Serra, Ciro Gomes, se movimentam bem nesse meio. Cada um a seu modo trabalha com objetivos claros e com alternativas para o caso das prioridades traçadas não derem certas.

Lula sabe que é o grande eleitor da situação. Abraça Dilma Roussef e faz com que ela saia do zero e há quatorze meses da eleição bata nos 16%. Ciro Gomes, do mesmo campo, depois de uma tentativa, aproveita o recall e se estaciona nos mesmos índices. Lula quer afastá-lo do cenário nacional e torna-lo uma pedra no sapato dos tucanos paulistas. No primeiro round Lua e Ciro souberam jogar o jogo.

Aécio e Serra se movimentam. Serra vai para o nordeste, terra virgem para ele; Aécio faz o movimento contrário e viaja para o sul.

São ações bem delineadas, que complementam o trabalho administrativo que realizam em seus estados de origem.

Trabalham com senso profissional.

Não é diferente o que fazem alguns deputados eleitos, caso de Melles, Arantes e Reminho. Enquanto os dois primeiros dão visibilidade às suas ações políticas; Reminho busca a consolidação de apoios de lideranças nas cidades da região, procurando evitar a quase derrota no último pleito.

Cássio Soares, a novidade que se apresenta até agora para o próximo pleito, articula-se bem com as administrações municipais. Está no caminho profissional, mas resta saber a repercussão que sua estratégia está tendo no seio do eleitorado.

Os candidatos de Passos mesmo, até agora tido como tal, Tuta e Alexandre Maia, parece que estão escondendo do eleitorado. Tuta, candidato do governo, não fez uma viagem sequer até agora em BH em busca de recursos para o município, para brigar pela estadualização da FESP ou para acelerar o funcionamento do novo Pronto Socorro. Desta forma e por esta maneira de agir se iguala a incompetência da atual administração, porque podia fazer , e até tirar proveito político disso, e não fez.

Sobre Alexandre Maia, não há muito que dizer. Não dá para entender que estratégia política ele está adotando, vendo a sua volta Hernani de braços dados com Cássio Soares, demonstrando apreço por Antonio Carlos Arantes, com Maia assistindo tudo, sem que nem ao menos o seu partido se manifeste.

Talvez porque esperam que a nuvem, num movimento etéreo, ganhem a forma que interessa às suas candidaturas.

Pode acontecer o que está acontecendo no cenário nacional. A possibilidade de Marina Silva surgir como candidata viável assusta a situação e pode sobrar susto também para a oposição.
Pode muito bem ocorrer isto por aqui, não é Cassio Soares?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Na mosca

A decisão da Secretaria de Estado da Saúde , que coloca nas mãos dos médicos a definição se a pessoa está ou não com gripe suína foi um tiro no centro do alvo.

A gripe, como disse Pedro Messias, diretor clínico da Santa Casa de Passos, é gripe como qualquer gripe e as suas complicações pulmonares é que acarretam perigo. Daí deixar para o médico quando se deve aprofundar o tratamento é uma medida acertada.

Por outro lado, a administração municipal parece que está se movendo no sentido de refrear a disseminação do vírus H1N1. A cidade vem sendo brindada com a distribuição de folhetos explicativos sobre como as pessoas devem se prevenir para evitar o contágio.

Não é algo que deva se restringir à panfletagem. Outros meios de comunicação deverão ser usados. Este é o caminho: informar, orientar até que todos se conscientizem que no combate à gripe o todo é pouco. (Poder público e população).

Duro é você procurar o Secretário de Saúde, o médico Cleiton Piotto, e nunca encontrá-lo, para que ele pudesse dar satisfação à opinião pública sobre o trabalho que a administração está fazendo para o efetivo combate à doença,

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Gato por Lebre

Tem alguém vendendo gato por lebre.

Um grupo de pessoas foi até a Assembléia Legislativa e acompanhou a votação em que seis Fundações de Ensino de Minas Gerais, entre elas a FESP, quando se definiu que elas continuam vinculadas a UEMG.

Depois dos rapapés, saíram dizendo que haviam conquistado o direito de brigar pela estadualização.

Nas entrelinhas da notícia o real motivo aparecia sorrateiro, desapercebido: garante-se a continuidade do Pro-UEMG, o sistema inventado pelo governo Aécio para financiar bolsas de estudo e, daí, encher as burras vazias das fundações.

A FESP, que na atual gestão nunca brigou pela estadualização, a ponto de ser público e notório, quando Bilac Pinto era Secretário de Ciências e Tecnologias, nunca se ter visto Fábio Kallas levantando a voz a favor da absorção definitiva.

Agora, para dar um verniz na intenção explicita de abocanhar recursos do Estado, virou defensor da estadualização e, sem o mínimo pudor, carrega alunos para bater palmas para os seus projetos pessoais, quando eles, os estudantes, pensam que estão defendendo a Universidade Pública de fato.

Nem sei se pode dar o nome disso de Gato por Lebre.

Fábio Kallas a favor da estadualização!? Era o que faltava para fazer chover....

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O País perdeu a noção

A história da resistência de José Sarney na presidência do senado é sem glória. Ele foi amigo de todos os regimes e em nenhum deles teve a precisão de se explicar. O peso de sua presença sempre valeu pelos votos que podia agregar ao poder de plantão e nunca pelos seus posicionamentos ideológicos.

Levado a ser vice-presidente na chapa articulada por Tancredo Neves para concorrer com Paulo Maluf no colégio eleitoral, Sarney virou presidente pela razão da tragédia que ceifou a vida do titular.

Fortaleceu-se no poder. Abusou da popularidade do Plano Cruzado e viu sua popularidade cair vertiginosamente. Mas seu poder no Maranhão ficou inabalável.

Sarney é daqueles políticos oportunistas. Sábio nas armações que beneficiam correligionário, montou uma estrutura onde sua presença nunca é materializada, mas todos sabem que está lá.

Ao final, quase no apagar das luzes de sua vida pública, cai a máscara e vem a público tudo aquilo que muitos desconfiavam, outros tinham certeza, mas nada podia ser confirmado.

Não se trata de manchar uma biografia, mas de remover uma camada de verniz que a cobria. Mas parece que ele não se contenta de ir à lona só. Quer levar a instituição consigo. Falta pouco
para que isso aconteça.
Enquanto o País assiste, perplexo, esta ganância absurda pelo poder e a população perde a noção do que é certo ou errado.
Sarney continua fazendo mal aos brasileiros.